on quarta-feira, 29 de junho de 2011
Queria enxergar o fim como uma tarde qualquer
Nem um clarear e muito menos o escurecer
Nem o começo nem o fim de tudo o que viria a ser

Sem ter que dizer oi e nem se despedir
Sem ter que madrugar. É cedo pra dormir

O dia que inicia frio, a preguiça que tanto me atenta
Noite, madrugada, cama tão gelada,
E um cobertor que já não me esquenta

O tédio que não é demais, o sono que não é demais
As tardes não são novidades, nem um dia que ficou pra trás

Sem meio dias e noites, as tardes que não tem metades
O fim que vem de uma vez, a vida que não se reparte
O sol que enfraquece as 3, aos poucos, sem muito alarde.

É cedo pra uma grande festa, tarde pra um simples almoço
O começo de um grande final, término de um mero esboço

Encontrar nos meus fins de tarde o fim das minhas tardes,
Tardes que nunca tem fim, fim que nunca vem tarde.

on terça-feira, 28 de junho de 2011
Eu nunca imaginei que poderia falhar, e não falhei
Eu nunca conseguí tirar meus pés do chão, mas voei
Eu não sei como fiz isso, mas gostei
Com sua mão tão perto a minha, terminei.
Você disse que queria me ver cantar, e eu cantei
Você disse que nunca me viu chorar, mas chorei
Você disse que eu deveria rezar, eu ignorei
Você me disse pra parar de sonhar, eu tentei.
Nós nunca soubemos onde chegariamos, mas andamos
Nós sempre esperamos pelo que vinha depois, mas sabiamos oque tinha agora.
Nós nunca fingimos um sentimento, apenas amamos.
Nós sempre estivemos aqui um para o outro, sem se interessar pelo que há lá fora.
Eu não gosto de apresentações, dizer quem tu és, entregar de bandeja a parte mais interessante do ser, extinguir o mistério é acabar com o prazer de infinitas possibilidades perante o que se desconhece. Não me conheço, não me apresento, não sei quem fará isso por mim. Eu gosto do que eu não sei se deveria gostar, do que eu ainda não sei se estou gostando, mas estou gostando de não saber.
Eu quero me encontrar no desconhecido, no acaso, historias que não falam de mim, mas falam pra mim tudo que eu sou, tudo que eu quero e o que eu não espero. Se todos fossem assim, talvez a busca incessante pelo que tu vens buscar aqui não acabasse. E que essas linhas sejam nossas conversas mais profundas, mesmo que você não diga uma palavra. Que mantenha a beleza do desconhecido que te faz se encontrar no que eu digo, mesmo que não sejam pra você. E não são.
Hoje eu quero ouvir conselhos de verdade, sem frases feitas, palavras bonitas, quero ouvir de quem passou por isso, quem sentiu na pele, quem viveu, morreu, morreu por viver na saudade. Chega de livros e musicas! Como podem fazer da tristeza ou da dor uma coisa tão simples e quase sempre tão linda? É descritível! Como pode? Amor e suas vertentes não deveriam ser assim, tão compreensíveis, pois não são. Porra, onde estão as brigas? Os palavrões? Onde estão os choros e as horas em que não sabia o que falar? Verso por verso, cada estrofe, mas quem consegue organizar assim seus sentimentos tão confusos? Ninguém. Hoje eu quero algo que não iluda passageiros de primeira viagem, que diga direto:
- Você ainda vai se foder!
Amor vai ser comparado com a flor que ainda nem floresceu e já desejam tocar tuas pétalas, desejo de quem ocioso almeja se encher de outro ser. Mas amor é dor de quem vive, saudade de quem viveu, desejo de quem sozinho está bem, mas ainda não sabe. Amor é fatal, é inevitável, mas se fosse tão bom seria opção. Ele vem sem pedir, a gente pede sem ver. Amor, amor, a gente nasce de tu e morre sem te entender.
Eu queria resolver com palavras as contas que eu não sabia fazer,
Na verdade eu sabia fazer,
Mas queria resolver com palavras, por isso não queria fazer.
Eu queria explodir a cabeça de alguem, com palavras,
E ver o sangue escorrendo feito sopa de letrinhas.
Eu poderia te socar, socar até minha mão pesar,
Mas eu queria fazer isso com palavras.
Te espancar, te matar, te acordar, te matar, te matar te acordar acordar,
Te matar. Independente da ordem.
Dizem que as pessoas só acordam pra vida antes de dormir,
Quando pensam em tudo, tudo que fingiram pensar durante o dia.
Dizem que a sanidade absoluta dura menos de um segundo na vida.
Dizem que a vida só começa após a morte. Então quem é são aqui?
Sonhar é quando está dormindo,
Mas eu durmo sem sonhar, e se sonho, nunca consegui lembrar,
Então sonho em acordar ou quando acordo é que começo a sonhar?
Quando faço contas, falo, e se falo, são palavras.
Eu queria resolver as coisas com palavras.
Quando te odeio, te juro maldição, e se juro, grito, em silêncio, estranho.
Covarde. Mas por mim tudo bem, se fica assim.
Eu queria resolver as coisas com palavras, mas das palavras que digo,
Todas são de você,
Só pra mim. Covardia, estranho.
Pode parecer, mas pra mim é mais vingança, ser egoísta e maior,
A ponto de não te fazer merecer nem meia palavra suja que digo de ti.
Mas egoísmo dói,
Pois ego incha, mata, de dentro pra fora, quando explode, feito balão,
Se a gente insiste em encher.
Eu queria resolver as coisas com palavras, mas se me digo, incho, me mato,
Quase que na vontade de um auto-suicídio sem nenhuma intenção,
Mas seria antes disso assassinato a redundância. E se fosse a julgamento
Por ser covarde com as palavras e obrigado a nunca usá-las. Eu,
Que faço uso delas pra poder sonhar.
Já que sonhando estou acordado, estaria assim me condenando a morte,
E morrendo, fico são. Logo,
A lucidez me traz raciocínio e inteligencia para lidar com as contas. E eu,
Que só queria resolver com palavras tudo que não sei, me condeno calcular
Quanto tempo tenho até que minha cabeça exploda por jurar a maldição
Desse sonho lúcido.
Voltei a escrever pra dizer
Que voltei a escrever pra você
Para ver que voltei a pensar em dizer
Que você deveria voltar a escrever
Que pensa em escrever pra dizer
Que pensa em me ver pra viver
Escrevendo ao mundo a dizer
Que voltou a viver ao me ver escrever
Sobre como voltei a pensar em você.
on segunda-feira, 27 de junho de 2011
Nos versos de uma bela poesia
Digo coisas que não sinto
Mas não digo que é tudo mentira
Pois você se identifica com isso.

E o que faz de mim alguém melhor que você,
Se o que escrevo não me ajuda em nada?
Não faz sorrir e nem chorar, aquele,
Que os profere essas humildes palavras.

Se eu pudesse ter a liberdade de te dar um conselho
Te diria para nunca ter medo da vida,
E sorrir diante do maior de seus medos.

Pois você pode nunca ter se entregado a alguém,
Com medo de se perder de si mesmo,
Ou nunca ter dito a ninguém seus maiores segredos.

Mas garanto a vocês, meus amigos,
Que vocês nunca verão,
Maior tristeza que a de um poeta
Que perde sua inspiração. 
Hoje vou dormir até tarde
Deixar que o sol me acorde quando ele achar que é certo
Desejar bom dia a Deus e levantar com o pé direito.
Hoje já tenho planos para a noite toda
Planejei cada segundo dentro dos meus sonhos
Mas vou fazer melhor, vou provar que estava certo quando disse
que sonhos talvez sejam perca de tempo.
Não que sonhos não existam,
só não devem ser tratado apenas como sonhos.
Porque hoje,
Percebí que amei, sem saber que amava
Percebí que o amor não nos diz com palavras
Quando é hora de perder a razão.
E eu que pensava que podia escrever sem inspiração
Hoje vejo que mesmo a poesia mais bela
Não é tão linda se esse amor não está nela. 
É como se ficar aqui fosse o mesmo que morrer
Ou pior, pois de lá contemplo sua beleza
Aqui só posso sonhar, sem poder ter certeza
de que poderia me amar para sempre.

É tudo, é o nada, uma coisa e outra
Não comando minhas ações e me perco entre as opções
Só me baseio em você pra todas a as decisões.

É como se minhas pernas falhassem ao caminhar
Meu corpo tremesse ao me levantar
O mundo começasse a me ignorar
Ou talvez eu nem mesmo estivesse lá.

Ou você já não estava aqui
E eu só queria ver você sorrir
Até o dia acabar. 
Talvez te assuste, eu assim, mascarado
Mas no fim eu me mostro criança
Que só deseja ter toda atenção
Teu olho assim, assustado, agora se espreme
Dá lugar ao sorriso, com toda razão
Eu aqui feito bobo, só me importo contigo
E nem ligaria se você me chamasse
Apenas de amigo, tudo que eu quero ser
Minhas melhores piadas contaria a você
Não sou mágico, nem sei muito bem do futuro
O que eu faço é o que eu consigo fazer
Se preciso me ajoelho aos teus pés e
Em voz alta (eu juro) te imploro
Te faço me prometer, quando você crescer
Não se esquece de mim, eu moro
Em qualquer canto, mas logo volto aqui
Pra te contar da vida, feito acalanto
Só pra te ver sorrir.
on quinta-feira, 2 de junho de 2011
É calmo o olhar
que pára meu temor
Suspende o choro imundo
Dá voz a quem calou.

É doce a voz
Que sopra aos céus amor
Grita à Deus e o mundo
Que todo mal passou.

É leve a mão
Que vem me acalmar
Põe se a afagar
O rosto que o choro inundou.

É linda a poesia
Que não vai falar de mim
Pois não sou singular
Na luta por saber quem sou.
Gira, brilha, e as cores que surgirem serão meu jardim. Vem calado, do céu, e estava em todo canto quando dei por mim. A minha volta sinto o vento que carrega o tempo, e a força como cresce o bater de asas de um sentimento, me assusta me entender e me enxergar real, queria ser tão leve e solto como um temporal, e o pesado corpo de um simples grão, desesperado sem saber que é uma rotação. E esse eterno retorno, entre eternos segundos, se fez mentira quando ela não quis mais voltar. É tão injusto separar dois mundos, mas se não fosse ela, quem iria se afastar? Eu ainda me despeço, mas vou ao fundo do poço, caso um dia você volte pra me machucar. Eu sei que dentro de ti tudo é quente e quieto, em meio a tanto barulho e o vento frio soprando. Eu sei que sou fraco, quieto, mas se não é você, então outro vento me carregando.
E vai sentir inveja, eu sei, quando descobrir que tudo em ti vem de mim, e o vento leve ao bater minhas asas, sopra pelo mundo até ficar assim. Todos te enxergam e poucos vão me ver, você só trouxe medo e eu o renascer, mas como o sol que não nasceu pra lua, eu faço minha tragédia e você faz a sua.